Durante a sessão de “Sofia”, curta de Alexandre Franco, a protagonista de mesmo nome estava descontente com sua vida amorosa e eu, com o celular que tocou e permaneceu ligado durante a exibição, sem falar dos cochichos, em plena Cinemateca. Mas “Sofia” merecia atenção, então tentei me desligar da “vizinhança” e dialogar com o curta.
Não deu muito certo. Com um roteiro linear chato e cansativo, ele não apresentava novidades durante a exibição, nada acontecia. Alguns cortes foram feitos de maneira brusca e em certos momentos a câmera trepidou. A fotografia, sim, era linda e comunicava mais que o texto em si.
Mas como cinema é arte e arte é subjetividade, identidade e interpretação pessoal, quando há, convido a todos para que assistam ao curta e tragam novas reflexões e novos olhares. Diferentes deste meu olhar em formação.
Uma coisa “Sofia” me provocou: inquietação. Já não conseguia ficar na poltrona, naquela pasmaceira, sentindo sua solidão, sua vida sem graça e sem atitude. Descobri depois, no bate-papo com o diretor, que sua intenção com o filme era passar esse momento de “Sofia”, de solidão, tristeza, abandono. Acho que deu certo nesse sentido: a solidão me afetou. (Karla Maria)
“Sofia” está na Mostra Brasil 9