Conheça esta Maria antes de 2022

Nestes dias em que o calendário parece perder um pouco o sentido e a ordem, as gavetas, os armários e projetos são revisitados, não é verdade? Aproveitando este aparente lapso temporal, te convido a ler meu último trabalho publicado: uma conversa que tive com Maria Fonseca, artista sacra cearense que segue de mala e pincéis pelo país pintando belezas em espaços sagrados. A reportagem escrita em estilo perfil está aqui no site da Agência de Notícias Signis.

Confira um trechinho…

A rotina do seu trabalho inclui um café da manhã que pode ser na casa paroquial, de alguém da comunidade ou em um hotel de alguma cidade deste imenso país, o que determina também seu cardápio: ovos, inhame, pãozinho na chapa, pão de queijo, açaí, um peixinho, tudo varia e acompanha o sabor e o sotaque local.

Após um trajeto feito a pé, carro ou barco, Maria chega à igreja. Diante da “tela” em branco, que pode variar de tamanho, traça o sinal da cruz, sobe os andaimes e, acompanhada por pincéis, tintas e seu celular, inicia seus desenhos. Antes, contudo, aciona a playlist de músicas que a inspiram na arte de dar concretude ao mistério do encontro com o próprio Deus. Celina Borges e Ziza Fernandes são alguns dos nomes que a acompanham em sua atividade.

“Eu entrego meu trabalho a Deus. Aí eu coloco uma música católica que tenha a ver com o que eu estou produzindo. Coloco uma música para que eu chame o Espírito Santo. Não é só a emoção, às vezes eu intercalo com áudios de passagens da Bíblia pra ouvir a passagem bíblica daquilo que eu vou criar. Eu tenho várias Bíblias de estudo e com várias traduções, e isso ajuda também a atentar aos detalhes”, reflete.

Paróquia quilombola, uma reparação?

A valorização do povo preto dentro da Igreja Católica, algo que décadas atrás era impensável dada a sociedade e suas leis descaradamente racistas, parece responder ainda que oficiosamente a uma provocação do papa Francisco, que neste período reconvida a Igreja a ser sinodal.

Eu gostei demais de conhecer e contar a história da paróquia quilombola São Roque, lá de Feira de Santana (BA). A reportagem está no site da Agência Signis de Notícias. Forjada na triste história de nosso país, ela denuncia um tempo que precisa ser superado e anuncia com esperança a resistência do povo preto do Brasil.

Para a reportagem, além de algumas dissertações de mestrado e declarações oficiais da Arquidiocese de Feira de Santana, conversei com claro com quem faz parte da comunidade quilombola. Uma baiana e um queniano: a mestra em educação Francisca das Virgens Fonseca e com o diácono Ibrahim Muinde.

Registro do nosso bate-papo via zoom em tempos pandêmicos

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