política pra quê?

Em 2014 eu escrevia para esta revista, a Super +, uma publicação voltada para o público infantil e infanto-juvenil. Era delicioso e desafiador. Informar para transformar sem subestimar a capacidade daquele meu público de idade tão tenra.

Entre os textos e entrevistas mais difíceis e fofas que escrevi, destaco essas páginas aqui sobre política… passados 8 anos entendo que é urgente que os adultos entendam o que é a política em nosso país, entendam seus processos que buscam representatividade, participação, transparência.

Política não é apenas esse partidarismo chulo como proferido pela maior autoridade do país. Fazer você pensar assim é o modo como os maus políticos buscam para te afastar dos processos decisórios de nossa nação.

Esteja aberto, aberta para as boas práticas da política através do diálogo, do encontro. Aprenda, ouça, leia, compartilhe, encante com sua própria vida e existência e verá o quanto de político existe em você e em seu entorno…

Compreenda as coisas pelo que elas são e não pelo que querem que acredite.

Comece entendendo o que é a política… as crianças começaram lá atrás… 😉

diálogo atualizado

– Karla, você não colabora mais com a Agência de Notícias Signis?

– Não. A experiência foi muito positiva, mas acabou, e, nela conheci colegas que quero levar para a vida toda.

– Mas você voltará?

– Não sei, quem sabe… Está sentindo falta? Que bom! Saiba, que tudo o que apurei e escrevi permanece à disposição lá no site da Agência. Acesse, leia, comente e compartilhe 😉.

Aproveito e compartilho aqui, meu primeiro trabalho para a Agência, uma entrevista com Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães. Ao realizá-la, eu chorei, e sorri, e vibrei. Estávamos na pandemia e as reflexões foram muito necessárias e provocadoras.

Entrevista realizada em 11 de junho de 2021, eu em Guarulhos (SP), e dom Mol em Belo Horizonte (MG)

Confira aqui um tantinho do que foi nossa conversa…

Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães é mineiro de Ponte Nova, na Zona da Mata. Filho do senhor José e da dona Edna, foi ordenado bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG) em 2006 e, entre tantas de suas funções, preside a Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde 2019.

A vocação para a educação aparece antes mesmo de uma consulta a seu currículo salesiano. Durante a entrevista feita a distância, separados por uma pandemia, quilômetros e uma tela de computador, o bispo ensinou, ponderou, denunciou, animou, profetizou.

Como bom mineiro, falou manso, mas não deixou de responder nenhum tema sensível à sociedade brasileira, ao povo católico. Com os pés na realidade que nos atravessa, manifestou-se com energia contra as desigualdades sociais, a apropriação de discursos religiosos e fundamentalismos, mas não só. Acompanhe a entrevista e descubra mais sobre o que pensa e como orienta dom Joaquim Mol sobre o Brasil e a Igreja Católica de 2021.

Dom Mol, estudos apontam a dificuldade do brasileiro em distinguir fato de opinião, comprovação científica de “achismos”, o que nos leva à banalização, relativização da verdade e até do cuidado com a vida. Os impactos parecem, até o momento, irreversíveis. Essa realidade tem atacado também a ação da Igreja Católica no Brasil? De que modo?

Sim, tem também impactado a ação da Igreja no Brasil sem dúvida nenhuma. Primeiro, porque o fato de muitas pessoas não distinguirem a notícia verdadeira da mentira faz com que elas acolham qualquer notícia que é dada como se fosse a verdade e escolham o que confirmam seu pensamento […]

Tudo isso impacta porque muitas pessoas terão uma visão equivocada da realidade. Por exemplo, essa questão da pandemia que a gente está vivendo hoje. Há muitas pessoas que têm uma visão que não corresponde à realidade: tem gente que passa a acreditar em terra plana. O ambiente dessa dificuldade de não distinguir o fato da opinião, sem uma comprovação científica e se deixar levar por muitos achismos, está muito relacionado à polarização e à intolerância e essa dificuldade de fato impacta na ação da Igreja.

A negação da ciência no país parece ser maior que em outros lugares. É um profundo empobrecimento e isso faz com que o país caminhe para trás, e isso não é bom. Nós estamos vivendo um momento de desinstitucionalização por causa dos achismos. É como se a gente mirasse para derrubar a ciência, as igrejas, o STF [Supremo Tribunal Federal]. Se eu não estou satisfeito com o STF, vamos fazer um trabalho para melhorar os juízes que lá estão.

Leia a entrevista na íntegra, no site da Agência:
https://www.agenciasignis.org.br/noticias/entrevista/2021/07/consciencia-critica?fbclid=IwAR033yPJ03U5fE7vViv7xCpZ4u2iElUWweRJE7v_LRxYKZLk0sKX-V2NXlA


Março está especial, vem conferir

Vanuza Kaimbé é natural da Terra Indígena Massacará, no município de Euclides da Cunha, localizado no sertão baiano, entre o rio Itapicuru e a nascente Vaza Barris. Hoje, aos 52 anos, ela vive com seu filho Felipe, de 26, na Aldeia Filhos dessa Terra, em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo.

Live de 2 de março no facebook da Agência de Notícias SIGNIS

É assistente social formada pela Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP) por meio do Projeto Pindorama, uma iniciativa da Pastoral Indigenista que luta pela inclusão dos povos indígenas na sociedade.

Conversar com uma mulher indígena, uma liderança de seu povo, é ter contato com uma história de resistência e de bem-viver. E você poderá constatar isso no bate-papo que tivemos com Vanuza no dia 2 de março, no Facebook da Agência de Notícias SIGNIS, a primeira da série de lives que estou realizando com a colega Cléo Nascimento toda quarta-feira deste mês, março, às 20h.

Em nosso primeiro encontro, a assistente social desmistificou alguns dos preconceitos e ignorâncias muito presentes na sociedade brasileira no que diz respeito aos povos indígenas e revelou como se organizam para manter e resguardar a saúde, a diversidade cultural dos povos e sua própria existência.

Como dito, ela é uma kaimbé, de um povo que no século 17 foi explorado como mão de obra semiescrava por um longo período, e é ali da Aldeia Filhos dessa Terra, ao lado de parentes de oitos povos indígenas, que Vanuza usa sua voz para impedir que mais exploração e o apagamento de suas culturas e memórias sejam efetivadas.

Confira aqui como foi: https://www.facebook.com/agenciasignis/videos/640739130541546 

E hoje, daqui a pouco, estaremos com a promotora Maria do Amparo Sousa Paz, promotora de Justiça e Coordenadora do Núcleo das Promotorias de Justiça de Defesa da Mulher Vítima de Violência Doméstica e Familiar (NUPEVI) do Ministério Público do Piauí.

Eu já a entrevistei anteriormente, quando escrevi uma de minhas reportagens sobre violência doméstica. Depois, registrei nossa conversa no meu livro Mulheres Extraordinárias e para a minha alegria e privilégio de todos e todas nós, hoje ela estará conosco.

Venha, participe. É daqui a pouco, às 20h.

Paróquia quilombola, uma reparação?

A valorização do povo preto dentro da Igreja Católica, algo que décadas atrás era impensável dada a sociedade e suas leis descaradamente racistas, parece responder ainda que oficiosamente a uma provocação do papa Francisco, que neste período reconvida a Igreja a ser sinodal.

Eu gostei demais de conhecer e contar a história da paróquia quilombola São Roque, lá de Feira de Santana (BA). A reportagem está no site da Agência Signis de Notícias. Forjada na triste história de nosso país, ela denuncia um tempo que precisa ser superado e anuncia com esperança a resistência do povo preto do Brasil.

Para a reportagem, além de algumas dissertações de mestrado e declarações oficiais da Arquidiocese de Feira de Santana, conversei com claro com quem faz parte da comunidade quilombola. Uma baiana e um queniano: a mestra em educação Francisca das Virgens Fonseca e com o diácono Ibrahim Muinde.

Registro do nosso bate-papo via zoom em tempos pandêmicos

Leia e me conte o que achou!

Na escuta e na denúncia, sempre

Ainda de ressaca emocional compartilho com vocês a notícia de que venci o Prêmio Dom Helder Câmara de Imprensa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. E o recebi porque escrevi uma série de reportagens para o Jornal O Trecheiro sobre os desafios diários e torturantes que a população em situação de rua sofreu e sofre nas cidades. A série se concentrou entre os meses de julho de 2020 a janeiro de 2021, durante a pandemia de Covid-19.

Compartilho a série de reportagens com vocês, e convido-os a continuarem seguindo o trabalho do jornal que há mais de 30 anos denuncia a ausência de políticas públicas de moradia, trabalho e ressocialização.

Foto do Luciney Martins

Conheça todos os vencedores da 53ª edição dos Prêmios de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e observe a qualidade e o compromisso destes meus colegas em denunciar, nos mais diferentes formatos, os erros pelos quais passamos e apontar saídas pautadas na dignidade da pessoa humana.

Foi bonito. Sigo com meu terceiro Prêmio Dom Helder Câmara de Imprensa e com muita honra.

Confira entrevista que concedi ao colega e editor Luís Marques da Agência Signis de Notícias. É lá, que atualmente tenho espaço para minhas reportagens.

Prêmio da CNBB

Hoje à noite a CNBB entrega seus prêmios de comunicação e eu participo deste momento concorrendo pela terceira vez ao Prêmio Dom Helder Câmara de Imprensa na categoria jornal.

Foto de Luciney Martins

A CNBB premia trabalhos que defendam a dignidade da pessoa humana e me honra muito ser lembrada junto aos demais profissionais por realizar este trabalho. Meus anos de carreira como repórter e mais recentemente como escritora se dedicam à denúncia de tanto descaso aos direitos humanos.

Se vou ganhar ou não, veremos juntos logo mais às 21h, mas o importante é registrar como a sociedade brasileira e seus governos trataram a parte mais vulnerável da sociedade brasileira durante a resistência e combate à pandemia de covid-19. Foi e é desumano.

Escrevi uma série de reportagens para o Jornal O Trecheiro sobre o tema, e é esta série que me leva à noite de hoje. A partir dela e de muita apuração sobre o cenário político-econômico escrevi um novo livro, o “Dores Invisíveis”, também produto final de minha especialização em produção editorial e de minha denúncia sobre o estado de coisas que vivemos neste período de um Brasil que escancara sua pobreza.

O anúncio da premiação é hoje às 21h em todas as tvs católicas. Assistirei pela TV Aparecida].

O livro “Dores invisíveis” aguarda investimentos 😉

Te espero às 21h.
@premioscnbb
@cnbbnacional TV Aparecida @fapcom

#karlamariajornalista #livroreportagem #premiosdecomunicaçãocnbb

Os livros que postei…

Estes são os dois últimos exemplares de “O Peso do Jumbo, histórias de uma repórter de dentro e fora do cárcere” publicado pela @editorapaulus que vendi pessoalmente entre os 200 exemplares que recebi da editora.

Eu os postarei amanhã. Foram 200 livros “O Peso do Jumbo” que saíram aqui de casa, das minhas mãos e foram até o meu leitor/a neste país gigante. Me escreve aqui se você recebeu, comprou um destes livros…

Que especial! Além claro dos livros vendidos nas livrarias e sites pelo país. Independente do título é um privilégio saber que meus livros estão por aí…

Obrigada a cada um e cada uma que comprou, apoiou e leu este meu trabalho e todos os demais em livros ou reportagens.

Neste país, viver de palavras sobre direitos humanos, é um grande desafio, e não sem ajuda venho superando-os dia a dia.

Obrigada! E continue comprando e lendo meus trabalhos. Você já sabe, a Paulus está espalhada pelo país com suas livrarias e no site: encurtador.com.br/cfAU4

Obrigada especial ao Fê e a Do Carmo, meus dois parceiros que sempre organizaram a logística, mesmo na pandemia, pra me levar ao correio e assim, levar o livro até você ❤

PS. Os livros Mulheres Extraordinárias e Irmã Dulce, a santa brasileira que fez dos pobres sua vida também estão à venda somente nas livrarias e sites. 😉

#karlamariajornalista #livros #opesodojumbo #irmãDulce #mulheresextraordinárias

Obrigada, Silvia

Fui vacinada pela Silvia, agorinha, na UBS Vila Galvão, em Guarulhos. Esta é a segunda vez que me sinto salva pelo SUS. Antes foi uma neoplasia diagnosticada em uma UBS lá em Pirituba, SP. Agora, aqui contra a covid-19.

A Silvia representa grande parte da população brasileira, uma mulher negra. Profissional, ela estava toda coberta, protegida, mas enxerguei seu sorriso, senti sua gentileza, seu cuidado. Quis muito abraçá-la, mas não ousei…

Tenho seu nome registrado em minha história, ela me deu uma dose de saúde, de prevenção, de responsabilidade e carinho sim. Agradeci muito pela dose que tinha lá, não me importava qual, nunca importou, já que desde criança preencho minha carteira de vacinação assim.

Agradeci muito pela existência do SUS neste país tão desigual e miserável para tantos. Nele, como em quase nenhum outro setor, nós humanos que vivemos neste país somos todos iguais.

Tenho 37 anos e volto para a segunda dose em outubro.

#VivaoSUS #apesardevocê #Vacinajá #ubsvilagalvão #Guarulhos

Agora, temos podcast

Inauguro hoje meu podcast Ká entre Nós. Toda sexta-feira, trarei uma provocação, um tema, uma lágrima ou um sorriso. Trarei livros, colegas, e enfim, um espaço nosso. Inicio hoje com minha reflexão sobre as tantas culpas que uma mãe carrega, em especial, as mães que estão presas, baseada na apuração de meu livro O Peso do Jumbo.

Seja bem-vindo, seja bem-vinda 😉#opesodojumbo

Dia do jornalista, e…

Dia do jornalista e por isso dia de angústia também. Dia em que lembramos o nosso papel de desmentir a mentira institucionalizada, de combater a banalização da verdade, a relativização da Ciência, a criminalização dos repórteres, a precarização do nosso trabalho dia a dia, as ameaças veladas e também diárias à democracia, à liberdade de expressão.

Força aos colegas que continuam com ética e compromisso em meio ao caos que vivemos.

Foto do colega Joaquim Souza, enquanto eu cobria as cheias do Rio Madeira, em Porto Velho (RO), em abril se 2014.

#karlamariajornalista