Prezia lança livro sobre ‘histórias sagradas’ indígenas

O coordenador da Pastoral Indigenista da Arquidiocese de São Paulo, Benedito Prezia, doutor em antropologia pela PUC-SP, coordenador do Projeto Pindorama da mesma instituição, que oferece bolsas de estudos a jovens indígenas que queiram estudar na entidade, lançou no dia 18, sua mais nova obra: “A Criação do Mundo e outras belas histórias indígenas”.

O lançamento que contou com uma “roda de conversa” entre os organizadores e a antropóloga Betty Mindlin, aconteceu na Ação Educativa, no centro de São Paulo, e teve a presença de lideranças de diversas pastorais e do Conselho Indigenista Missionário.

O livro reúne textos indígenas das tribos brasileiras, e de índios dos Estados Unidos, Canadá e Argentina. Segundo o autor “são histórias sagradas e didáticas, mas também a obra poética e de sabedoria desses povos, além de textos da religiosidade indígena”. Algumas poesias apresentam a forma original de algumas línguas nativas, como o guarani e quéchua, com a tradução portuguesa.

Em entrevista ao O SÃO PAULO, Prezia afirma ter buscado dar visibilidade aos textos indígenas que foi conhecendo ao longo dos últimos 30 anos. “Queria dar visibilidade aos textos indígenas para mostrar que além dos mitos, que muitos chamam de ‘lendas’, há muita sabedoria e poética entre esses povos”.

O livro é uma parceria com o ex-aluno do Projeto Pindorama, Emerson de Oliveira Souza. “Diante da riqueza de conteúdo que encontrei, senti que não poderia fazer essa coletânea sem a parceria com um indígena, já que aquele acervo pertencia a ele e a seus parentes indígenas. Por isso, decidi convidar a Emerson”.

Emerson é guarani e formado em Ciências Sociais na PUC-SP. Benedito Prezia acompanha a causa indígena de forma sistemática desde 1983, quando ingressou no Conselho Indigenista Missionário (CIMI), em Brasília (DF). Três anos depois, assumiu a publicação do suplemento cultural do jornal Porantim.

Questionado sobre os possíveis avanços nas políticas públicas para os povos indígenas, Prezia destacou alguns avanços. “Os indígenas estão mais conscientes e organizados e aqui em São Paulo vemos alguns avanços em políticas públicas, sobretudo na Grande São Paulo, como no município de Osasco e Guarulhos”.

Destacou, contudo, os desafios dos povos das regiões do Mato Grosso do Sul e Bahia, em especial na demarcação de suas terras tradicionais.

 

Serviço

Livro: “A Criação do Mundo e outras belas histórias indígenas”.

Autores: Benedito Prezia ; Emerson Guarani

Editora: Formato/Saraiva, 72 páginas

  • Preço: 34 reais e 90 centavos

Antropólogo avalia criação de conselho indígena

Benedito Prezia é doutor em antropologia pela PUC-SP, onde coordena o Projeto Pindorama, que oferece bolsas de estudos a jovens indígenas que queiram estudar na entidade. Autor de vários livros paradidáticos sobre a questão indígena, atualmente é coordenador da Pastoral Indígena da Arquidiocese de São Paulo.
Acompanhe abaixo o que pensa o antropólogo sobre a criação do conselho municipal indígena.

” Como não vi o decreto que o criou, não poderei dar muita opinião, mas penso que tem dois desafios: pensar na criação de políticas públicas para as comunidades indígenas da cidade de São Paulo e estabelecer mecanismos para que essas políticas se concretizem.

Penso que ele foi criado num momento ruim, que é o final de gestão. No último ano de um governo pouca coisa se faz, pois todos pensam no próximo mandato.
Assim terão apenas 6 meses para pensar algo, pois a partir de agosto, praticamente nada é encaminhado. E com a eleição do próximo ano, as pessoas que assumirão as novas secretarias, a que o conselho está ligado, nem sempre seguirão o perfil da atual administração que criou.
É preciso que ele [conselho municpal indígena] pense políticas não só para os indígenas que vivem em aldeias, mas também para os que estão fora de aldeia, que devem ser em torno de umas 8 mil pessoas”.