Beata Dulce dos pobres aquece coração e bolso de turistas

Durante a beatificação de irmã Dulce, em Salvador (BA), percorreu algumas das mais de 300 igrejas que circundam a Arquidiocese Primaz do Brasil. Mas não são apenas as igrejas históricas que seduzem os turistas, a beata Dulce dos Pobres também tem ajudado ao turismo da região. Segundo o Ministério do Turismo, o Memorial Irmã Dulce, localizado no Largo de Roma, Cidade Baixa, recebia até a beatificação do “Anjo Bom” cerca de 35 mil pessoas por ano, sendo 25% destes, provenientes dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, e Ceará. Depois da beatificação, constatou-se um aumento de 70% na chegada de turistas. Ainda segundo o ministério são esperados 80 mil fiéis ainda em 2011.

A beatificação da religiosa baiana mobilizou a Bahia em discussões sobre ações de fortalecimento dos roteiros religiosos e o Ministério do Turismo já destinou R$ 5,4 milhões para a implantação da Praça Irmã Dulce, localizada em frente ao Memorial e às Obras da Irmã Dulce. A destinação foi realizada, mas o recurso ainda não chegou. Na praça, que fica também de frente ao Santuário dedicado à beata, observava-se, na véspera da beatificação: moradores em situação de rua, lixo espalhado pelo chão – não se via lixeiras – e até um cão morto. A Bahia já faz parte dos roteiros turísticos da agência de viagens oficial da Igreja Católica.

O calendário de manifestações religiosas baianas é extenso: há a Lavagem da Igreja do Bonfim, a Festa de Santa Bárbara, a Romaria de Bom Jesus da Lapa e a Festa da Boa Morte. A Beata Dulce dos Pobres será celebrada em 13 de agosto. O Pelourinho acolhe dezenas de igrejas, teatros, museus, galerias de arte, entre outros, um dos pontos turísticos mais visitados d Brasil. Segundo pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o turismo religioso movimenta 8,1 milhões de viagens domésticas por ano, representando 3,6% das viagens realizadas dentro do Brasil.

Segundo a Embratur, 15 milhões de pessoas se deslocam anualmente no país por motivos religiosos, movimentando R$ 6 bilhões. Além da Bahia as cidades de São Paulo, Aparecida, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte e algumas cidades históricas de Minas Gerais são pontos que mais aquecem o turismo religioso.

Prefeitura de Salvador precisa reencontrar seu prumo

foto: Karla Maria / Porto de São Salvador

Na semana passada, de 19 a 22, estive em Salvador (BA) para cobrir a beatificação da Irmã Dulce. A expectativa era grande, por ser uma pauta tão complexa com diversos ganchos, todos advindos da história de vida de uma mulher tão especial como Maria Rita Lopes, a irmã Dulce.

As Obras da Irmã Dulce começaram na década de 50, no bairro de Alagados, a periferia de Salvador, hoje chamado de Uruguai. Fui, portanto, até lá conferir as mudanças do local, ver as sementinhas plantadas pela beata. Para chegar até o Uruguai precisei usar mão do transporte público. São 2,50 centavos para cada viagem, que valeu a pena só pelo papo com os baianos, porque o trajeto e a segurança no ônibus foram horríveis. Atenção sobreviventes da Terra da Garoa, estamos bem na vantagem.

Puxando papo no ônibus começo a ouvir as críticas ao governo municipal, o mesmo que há dois meses não repassa a verba federal para as Obras da Irmã Dulce, pasmem: 14 milhões. As obras totalizam 46% de todo o atendimento de saúde pública de Salvador. João Henrique de Barradas Carneiro, o prefeito dessa terra única, é alvo de duas ações civis de responsabilização por ato de improbidade, justamente por não repassar verbas, como pode ser visto nessa matéria.

foto: Karla Maria / Baianas na beatificação irmã Dulce

Salvador é linda por natureza, carrega em sua história e no rosto de seu povo o DNA do brasileiro. Em cada cantinho da cidade, respira-se história, poesia, música, axé, ginga, cor, literatura e gastronomia, respira-se a simpatia e a gentileza do baiano. Mas esse berço nosso precisa ser cuidado. caminhando pela cidade (e como andei!) vi muito lixo e buraco nas vias, da periferia ao centro histórico, no Pelourinho vê-se o descaso público. É uma vergonha que Salvador esteja tão abandonada, vergonha!

Para a sorte de Salvador e do Brasil, para a nossa sorte, somos abençoados com tamanhas belezas e geografia única. Fecho os olhos e me lembro da linda visão da orla Barra-Ondina com o farol ali à espera de uma visita; llembro do banquinho de Vinícius de Moraes em Itapuã; da Igreja de São Francisco iluminada de ouro;  das ladeiras do Pelourinho cheias de história, das saias e colares das baianas, do sorriso gostoso daquele povo, do acarajé com caruru – sabor novo pra paulista aqui.

Mas tudo isso, que é maravilhoso, não tira a vergonha de Salvador – cheia de patrimônio histórico da humanidade – estar abandonada, como pude ver com meus olhos. A prefeitura precisa tomar conta da cidade, cumprir seus contratos e repasses, não só no Carnaval para as emissoras de tv, precisa reencontrar seu prumo e tomar conta dos baianos, o ano inteiro.

Confira a cobertura nos links abaixo:
Igreja beatifica Irma Dulce dos Pobres
“Anjo bom da Bahia” foi beatificada